• Emannuel Bento

Setembro Amarelo: Saúde mental também é desafio na terceira idade



Um dos temas do Setembro Amarelo, a saúde mental tem sido pauta de discussões múltiplas que vão desde as redes sociais até o ambiente corporativo. Muitas vezes, no entanto, esses debates acabam tendo um foco majoritário nos jovens. É comum associar a ansiedade, a insegurança e o questionamento a juventude, como se a maturidade extinguisse esses traços das personalidades dos indivíduos. Apesar disso, a terceira idade é uma período que, como qualquer outro, carrega essas características. É uma realidade necessita de ainda mais observação no contexto de pandemia, já que os idosos fazem parte do grupo de risco e devem permanecer em distanciamento.


Segundo levantamento feito pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 2019, pessoas com idades entre 60 e 64 anos representam a faixa etária com maior proporção (11,1%) entre os 11,2 milhões de brasileiros diagnosticados com a doença. “A depressão hoje é um fenômeno quase que pandêmico e tem sido cada vez mais abrangente em várias faixas etárias. Entre os idosos, assim como nas demais idades, é difícil elencar a situação que necessariamente leve a depressão. Geralmente é um quadro de angústia persistente, com pouca interação, algo mais fechado”, diz a psicóloga Suenne Valadares.


Também é notável uma questão geracional. Há algumas décadas, as doenças psicológicas eram vistas como menos importantes, principalmente entre pessoas que cresceram em um ambiente atarefado, trabalhando desde cedo ou que constituíram família ainda muito jovens.

Apesar disso, de acordo com a profissional, o tabu de falar sobre doenças psicológicas ainda atinge todas as faixas etárias. “É justamente nesse ‘deixa para lá’ que a angústia toma conta, mesmo que não exista uma noção exata do que a causou. É um nó na garganta ou um aperto do peito que pode até mesmo virar uma dor física. Os cardiologistas recebem muitos casos assim.”


A psicóloga ressalta que é importante que os mais jovens ao redor tentem dialogar e explicar para as pessoas que estão envelhecendo a importância de exercitar o corpo e a mente. “No entanto, não devemos infantilizar os idosos. É preciso procurar a qualidade das atividades do dia a dia, mas não simplesmente ‘ocupar a mente’. Essa atividade pode ser cozinhar, ouvir música, encontrar com amigos nas aulas de ginástica ou conversar com os netos por chamadas digitais. São através dessas partilhas que encontramos o outro.”


A dica da prática de atividades que melhorem a qualidade de vida também servem para adolescentes e adultos. “Contudo, não se deve confundir o gosto de permanecer sozinho de alguns idosos com depressão. Enquanto adultos com idades mais avançadas, espera-se que exista uma capacidade de estar sozinho. É uma capacidade bastante sofisticada. O cenário da pandemia, porém, agravou outros contextos que nós vivemos. É preciso ter redes de pessoas com quem você compartilha o que pensa, o que faz. Apesar de ser um contato virtual, a presença pode ultrapassar a tela”, finaliza.

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