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  • Cristiane Sales

Julho Amarelo: mês de combate às hepatites virais



O termo hepatite refere-se à inflamação do fígado, sendo as hepatites virais causadas por vírus específicos (A, B, C, D e E). As formas de prevenção e contágio, os sintomas e a gravidade diferem entre si, e julho foi o mês escolhido para conscientização da população acerca das mais prevalentes hepatites virais: A, B e C.


As hepatites virais são consideradas um problema de saúde pública, pois de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 milhão de mortes no mundo foram causadas por complicações dessas doenças. Em 2019, no intuito de debater as formas de prevenção e eliminação das hepatites virais nos municípios de Pernambuco, a Secretaria de Saúde promoveu a 1ª Jornada Pernambucana de Hepatites Virais, com participação de médicos e enfermeiros, para que os cuidados necessários fossem disponibilizados já na atenção primária. Atualmente, testes rápidos para hepatites B e C são realizados nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e são fundamentais para ampliar o diagnóstico precoce e evitar desperdícios de recursos públicos.


A hepatite A é transmitida por contato inter-humano ou por água e alimentos contaminados, sendo possível a redução da disseminação através de saneamento básico, higiene e vacinação. Os sintomas são inespecíficos, desde quadros assintomáticos, sintomas gripais, até o desenvolvimento de sinais clássicos de hepatite como a icterícia (amarelado nos olhos e na pele). O tratamento é repouso relativo, uso de medicações para os sintomas como febre e náuseas, evitar álcool e anti-inflamatórios. O paciente adquire imunidade após a infecção, que por se apresentar apenas de forma aguda, não progride para cirrose e nem causa câncer de fígado.


As hepatites B e C, por outro lado, requerem maior atenção, pois a maioria dos pacientes pode não apresentar sintomas e, de forma silenciosa, evoluir com inflamação crônica do fígado, cirrose e câncer. A depender da gravidade, pode ser necessária a realização de transplante hepático. A transmissão dos vírus pode ser vertical (quando passa de mãe para filho durante gestação/parto) ou parenteral, seja por via sexual ou pelo contato com sangue e mucosas (no compartilhamento de objetos perfuro-cortantes como agulhas e seringas, realização de tatuagens, piercings, procedimentos cirúrgicos, etc). Até o início da década de 90, inúmeros pacientes foram contaminados com o vírus da hepatite C por hemotransfusão, pois até 1988 o vírus ainda era desconhecido. Atualmente, os bancos de sangue testam o sangue doado para os vírus das hepatites B e C, reduzindo assim a contaminação.


Em relação a prevenção, há disponibilidade da vacina para hepatite B, sendo recomendada para todos os pacientes não imunes e incluída no calendário vacinal. A forma de prevenção da hepatite C baseia-se no uso de preservativos, de materiais descartáveis e esterilizados para tatuagens e procedimentos, no não compartilhamento de agulhas e seringas, já que não há vacina disponível.


No Brasil, há a estimativa de 657 mil pessoas infectadas (0,7% de prevalência) pelo vírus da hepatite C e apenas 160 mil diagnosticadas entre 1999 e 2017. O diagnóstico das hepatites B e C pode ser realizado através de exames de sangue específicos, porém, muitas vezes ocorre tardiamente, quando o paciente já apresenta complicações das doenças. Devido à importância do tema, há recomendação do Conselho Federal de Medicina (CFM) para que o médico, independente da especialidade, verifique se os pacientes testaram para hepatite B e C e vacinaram para hepatite B (Recomendação CFM No 2/2016).


É importante manter os exames de rotina em dia, pois pode haver alterações significativas nos exames laboratoriais e de imagem, como o ultrassom, mesmo na ausência de sintomas. Quando o paciente refere icterícia, ascite (água na barriga) e vômitos com sangue, já podemos nos deparar com um quadro de cirrose descompensada. Nesses casos, é essencial a avaliação do hepatologista.


Dessa forma, o maior desafio atual é diagnosticar os portadores das hepatites B e C de forma precoce, ainda na fase assintomática e na ausência das complicações citadas, pois o tratamento composto por antivirais é disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com boa tolerância e elevada chance de cura.

Que o julho amarelo seja um alerta sobre a importância das hepatites virais, com discussão sobre as formas de prevenção e de rastreio. Se houver dúvidas, procure um médico!


*Os artigos publicados no Site Saúde e Bem Estar são escritos por especialistas convidados pelo domínio notável na área de saúde. As publicações são de inteira responsabilidade dos autores, assim como todos os comentários feitos pelos leitores/internautas.

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