• Cristiane Sales

Hepatites Virais: dia de conscientizar a população sobre os riscos da doença


Hoje é o Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais, data criada com o intuito de conscientizar a população sobre a importância da prevenção, diagnóstico precoce e as graves consequências que a doença pode ter para o paciente.


As hepatites virais são doenças infecciosas que afetam o fígado por diferentes tipos de vírus. As hepatites A, B e C já podem ser consideradas um grave problema de saúde pública no mundo. Em geral, são doenças assintomáticas e, por isso, ainda diagnosticadas tardiamente. Milhões de pessoas podem ser portadoras de algum vírus e não saber. Os tipos B e C podem causar doenças graves como cirrose e câncer de fígado, e todas elas podem levar o paciente à morte.


De acordo com o Boletim Epidemiológico 2018, o Brasil registrou 40.198 casos novos de hepatites virais em 2017. Os casos de hepatite A quase dobraram em um ano, em 2016 foram identificadas 1.206 ocorrências, já em 2017 o número subiu para 2.086. Em relação ao vírus B, houve uma discreta redução passando de 14.702 em 2016 para 13.482 no ano passado. A Hepatite B é a segunda causa de óbitos entre as hepatites virais.


A distribuição dos tipos varia de acordo com a região do país. O Nordeste concentra a maior proporção das infecções pelo vírus A (30,6%). Na região Sudeste encontram-se os maiores índices dos vírus B e C, com 35,2% e 60,9%, respectivamente. Já no Norte são encontrados 75% do total de casos de hepatite D.


De acordo com Fábio Marinho, hepatologista do Real Hepato, boa parte das pessoas não tem sintomas, podendo chegar até 80% dos casos. “Alguns desses vírus podem ficar cronicamente e por muito tempo inflamando o fígado, levando ao desenvolvimento da temida cirrose hepática. Isto mesmo, a ocorrência de cirrose nem sempre está ligada ao consumo exagerado do álcool. Cerda de 30-40% dos casos de cirrose são relacionados às hepatites virais crônicas, principalmente a hepatite B e C”, explica.


O hepatologista explica ainda que a transmissão varia de acordo com o tipo de vírus. “Depende do vírus da hepatite que nós estamos falando, mas resumidamente os vírus A, E e F têm transmissão oral, ou seja, podem ser pegos igualmente as verminoses do intestino: pela boca. Isto ocorre muito em lugares com baixas condições de saneamento básico. A hepatite B tem como principal fator de risco a transmissão sexual desprotegida e contato com sangue de alguém contaminado, como por agulhas ou tatuagens. Já para a hepatite C, o contágio se dá basicamente através de sangue contaminado, como compartilhamento de seringas para uso de drogas, tatuagens, transfusão de sangue antes de 1992”, esclarece Fábio Marinho.


O Boletim Epidemiológico 2018 destaca ainda que número de casos mais que dobrou nos homens de 20 a 39 anos. Dentre todas, a hepatite C continua tendo a maior notificação, 11,9 casos para cada 100 mil habitantes, sendo responsável por mais de 70% dos óbitos. O documento foi elaborado pelo Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis, do HIV/Aids e das Hepatites Virais, da Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde (DIAHV/SVS/MS).


O diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso no tratamento e pode ser feito através de exames laboratoriais. Cada uma das hepatites tem um ou mais testes para sua detecção no sangue. Já o tratamento também depende do tipo da doença. “O tratamento das formas de transmissão oral se dá pelo próprio organismo, pelas suas defesas. Raramente se precisa de remédios. Na hepatite B existe tratamento para as formas crônicas, porém normalmente são realizados para toda a vida, enquanto que para a hepatite C o tratamento é feito por via oral na forma de comprimidos, e por tempo limitado, com uma taxa de cura que pode chegar até 100%”, afirma o hepatologista.


A prevenção pode ser feita através da vacinação contra as hepatites A e B, além de alguns cuidados como o uso de preservativo nas relações sexuais, utilização de materiais esterilizados ou descartáveis em estúdios de tatuagem e de piercings, não compartilhamento de instrumentos de manicure e pedicure, lâminas de barbear ou de depilar, além de não partilhar agulhas, seringas e equipamentos para o uso de drogas.

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