• Ana Carla Santiago

Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da UFPE lança cartilha sobre violência doméstica durante a p


“Violência Doméstica: como combater em tempos de Covid-19” traz informações sobre o crime, como denunciá-lo e as maneiras de enfrentá-lo no contexto do isolamento social


O isolamento social por causa da pandemia da Covid-19 vem preocupando autoridades, profissionais e especialistas em relação à violência doméstica contra a mulher. Com as medidas restritivas implementadas em Pernambuco, muitas delas precisam passar mais tempo dentro de cada, muitas vezes ao lado do seu agressor, que pode ser um parente, namorado ou marido. A denúncia é o primeiro passo para dar fim a esse ciclo de violência, mas muitas vítimas não conseguem denunciar ou não possuem informações necessárias sobre como ocorre a violência doméstica e onde as denúncias podem ser feitas. Pensando nessa situação e visando o combate a esse tipo de agressão, a Programa de Pós-Graduação em Enfermagem (PPGENF) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) lançou a cartilha “Violência Doméstica: como combater em tempos de Covid-19”, disponível gratuitamente no site da instituição.


Dados da Secretaria de Defesa Social (SDS) mostram que em março e abril de 2020 (início da quarentena no Estado), foram registrados 5.664 crimes praticados contra as mulheres em domicílios pernambucanos. Os números representaram uma queda se comparando aos dados do ano passado: foram mais de 7 mil denúncias, o que representa uma queda de 22,35% das notificações. Isso não indica, entretanto, uma diminuição do número de violência doméstica. O medo de sair à rua por causa do coronavírus junto a uma intimidação constante dentro de casa podem ser os principais fatores que dificultam ou impossibilitam a busca por ajuda.


Camila Farias, enfermeira especialista em saúde da mulher, mestranda do PPGENF e autora da cartilha, explica que é necessário falar sobre violência doméstica para ampliar o debate e explicar o que ela é, como ela acontece e o que se pode fazer para evitá-la. “Quando nós, enfermeiras de saúde da mulher e profissionais de saúde, nos deparamos com esse cenário de pandemia e isolamento social, ligamos o alerta, já que neste cenário as vítimas passam mais tempo confinadas em casa com seus agressores. Por isso, sentimos a necessidade de falar sobre o assunto”, diz a enfermeira.


Camila pontua que as informações sobre esse tipo de crime ainda não são bem trabalhadas e não chegam para todas as pessoas como deveriam. Ela diz que no período de quarentena, o Disque 180 (que coleta denúncia de violência contra mulheres) registrou um aumento de mais de 35% de ligações e mais da metade eram de mulheres que desejavam se informar sobre violência doméstica e não concretizar a denúncia. “Isso é algo que precisa ser conversado. Se está tendo essa busca tão grande por informação, é porque ela não está chegando a todas as mulheres”, complementa.


A especialista reforça que a violência contra a mulher deve ser considerada como um problema de saúde pública e deve ser enxergada para além do ato de violência. É preciso levar em consideração as consequências causadas pelas agressões às mulheres, que interferem em vários aspectos das suas vidas, seja profissional, social ou afetivo: “Cada vez mais estudos mostram como mulheres sofrem com crises de ansiedade, estresse, síndrome do pânico, depressão, entre outros problemas, por causa da violência. Sem falar nas questões de autoestima. Por isso, combater a violência não se resume apenas à denúncia, ela é apenas o primeiro passo”.


A cartilha traz explicações sobre diversos tipos de violência doméstica e suas manifestações, que vão além do ato violento. Ela pode ser classificada como violência física, quando há agressão como tapas, murros, empurrões e chutes, por exemplos; violência patrimonial, quando o agressor quebra ou esconde objetos pessoais da vítima; violência moral, representada por qualquer situação que envolva calúnia, difamação ou injúria; violência sexual, quando a vítima é obrigada a ter relações sexuais sem o seu consentimento, o estupro; e a violência psicológica, desenvolvida por qualquer conduta ou situações que gere um dano emocional à autoestima da vítima.


Camila Farias reforça a importância da Educação nas ações de enfrentamento à violência contra a mulher. Ela diz que para combatê-la é preciso entendê-la primeiro. Saber como ela ocorre, como se apresenta e conhecer os mecanismos que existem para enfrentá-la é fundamental. “Acreditamos no poder da educação em todos os aspectos da vida e na violência doméstica não poderia ser diferente. Entender sobre ela é o primeiro passo para combater a situação. Conhecer a rede de enfrentamento é muito importante também, já que sabendo como ela funciona, podemos torná-la mais eficaz. É essencial ampliar esse debate e a educação é fundamental para que essa conversa cresça”, reflete a profissional.


O material produzido pela enfermeira também traz informações sobre uma Rede de Enfrentamento, que conta com instituições (governamentais ou não) com o papel de garantir que a vítima receberá todo o suporte necessário para enfrentar situações de violência. Segundo Camila, é uma rede que acompanha a mulher desde a denúncia e até a sua recuperação. A Rede de Enfrentamento possui canais de denúncia, de apoio psicossocial e de assistência social, oferecimento de medidas protetivas para as mulheres que sofrem agressões, casas de abrigo para vítimas que saem de casa por causa da violência doméstica, entre outros. Todos esses serviços vão assegurar os direitos da mulher e garantir que ela condições de se recuperar do trauma pós-violência.


Para Camila, ultrapassar o obstáculo das medidas restritivas e de isolamento no combate à violência doméstica começa com a realização de denúncias, não só por parte da vítima, e sim de quem presencia ou tem conhecimento das agressões. É preciso não estabelecer essa responsabilidade apenas como papel da mulher agredida. Aos primeiros sinais de violência que sejam notados, é importante que a denúncia seja feita para as devidas autoridades, como Central de Atendimento à Mulher (Disque 180) ou a Polícia Militar (PM), pelo 190. “Eu noto muito que ainda existem receios para realizar a denúncia, porém ela precisa ser feita para começarmos a vencer a violência doméstica. Nós não podemos, nem devemos esperar uma agressão física maior ou até mesmo que ocorra o feminicídio para que a denúncia seja feita”, finaliza.


Para denunciar casos de violência doméstica, seja qual for seu tipo, basta entrar em contato com:


Liga Mulher - 0800 281 0107


Delegacia Especializada da Mulher - (81) 3184-3352 | (81) 3184-3356


Central de Atendimento à Mulher - 180


Polícia Militar - 190


Centro de Atenção à Mulher Vítima de Violência Sony Santos - (81) 2011-0118


Instituto Maria da Penha - (85) 4102-5429 | (85) 98897-6096


Centro de Referência Clarice Lispector - (81) 3355-3009 | (81) 99488-6138


#ViolênciaDoméstica #Violênciacontraamulher #IsolamentoSocial #UFPE #Covid19 #coronavírus

Artigo02.png
WhatsApp Image 2020-10-07 at 11.28.55.jp
Banner01.png
Arquivo

Copyright © 2018 Saúde e Bem Estar