• Ana Carla Santiago

Cardiopatia congênita: o diagnóstico precoce é essencial para evitar riscos


De acordo com o Ministério da Saúde (MS), essa é a terceira maior causa de morte em bebês com menos de 30 dias


Em média, 28 mil bebês com problemas no coração nascem no Brasil por ano, segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular (SBCC). Esse número representa um em cada 100 bebês nascidos vivos, que possuem as chamadas cardiopatias congênitas. São mais de 40 tipos de alterações ocorridas durante o processo de formação do coração na gestação, como o não desenvolvimento de determinadas estruturas. O dia 12 de junho é lembrado como o Dia de Conscientização da Cardiopatia Congênita e especialistas alertam sobre a necessidade de um diagnóstico prévio para evitar riscos.


Fatores genéticos, agentes ambientais e fatores de risco contribuem para a má-formação do coração dos bebês. Além disso, circunstâncias como mães que fazem uso de drogas, álcool e antidepressivos, rubéola na gestação e doenças como diabetes e hipertensão podem ocasionar deficiências cardíacas. De acordo com o Ministério da Saúde (MS), essa é a terceira maior causa de morte em bebês com menos de 30 dias e estão relacionadas a 10% dos óbitos infantis e 20 a 40% dos óbitos ligados a malformações. Há casos que não precisam de tratamento, enquanto outros necessitam de cirurgia ainda no período neonatal. 2% do total de casos só progride bem se tiver tratamento precoce.


Os sintomas mais comuns das cardiopatias congênitas são: falta de ar, cansaço, ponta dos dedos e lábios arroxeadas, transpiração excessiva e, no caso dos bebês, cansaço entre as amamentações. De acordo com a cardiopediatra do Hospital Esperança, Lúcia Salerno, através dos exames no período da gestação, é possível detectar algumas possíveis doenças que a mãe ou a criança vão desenvolver. "O diagnóstico pode ser feito ainda no período do pré-natal e, caso confirmado, a gestante deve tomar algumas precauções, como fazer o parto em um hospital com estrutura para receber o recém-nascido cardiopata. Para os bebês, é cada vez mais comum serem solicitados exames que auxiliem no diagnóstico precoce de doenças do coração", explica.


A ultrassonografia morfológica do primeiro trimestre (11 a 14 semanas) e do segundo trimestre (20 a 24 semanas) é um dos exames solicitados no pré-natal. Outro exame mais específico, solicitado por volta das 26 semanas, é a ecocardiografia fetal, recomendada quando há fatores de riscos na história materna para cardiopatia congênita fetal ou quando as ultrassonografias de rastreio mostram alterações cardíacas no bebê.


Quando o problema é identificado, as gestantes devem adotar alguns cuidados, como pré-natal acompanhado por um especialista em gestação de alto risco e um médico cardiologista pediatra. Para os tipos mais graves da doença, são indicadas cirurgias para correção. Segundo a SBCC, aproximadamente 23 mil bebês cardiopatas irão precisar de uma cirurgia. Nos demais casos, é possível fazer o acompanhamento ambulatorial do paciente. Caso a cardiopatia não tenha sido identificada antes do nascimento, o exame de oxiometria de pulso, também conhecido como teste do coraçãozinho, pode ajudar a identificar as doenças. O teste é indolor e feito com uma pulseira que mede a concentração de oxigênio no sangue, sendo capaz de detectar problemas cardíacos antes dos primeiros sintomas aparecerem.


Cardiopatia congênita durante a pandemia do coronavírus


Especialistas explicam que período de pandemia da Covid-19 pode ser prejudicial para quem possui cardiopatia congênita. Segundo Mariana Carvalho, diretora do Departamento de Cardiopatia Congênita da Sociedade Brasileira de Cardiologia em Pernambuco (SBC-PE), um esvaziamento de hospitais vem sendo notado desde o início do isolamento social. “Isso vem nos preocupando, porque temos medo do estado em que vamos receber as crianças após a pandemia, sem terem tido um tratamento adequado e precoce”, pontua. De acordo com a cardiologista, as gestantes devem se precaver e seguir todas as recomendações de higiene e segurança contra o novo coronavírus, mas não devem deixar de fazer seus exames pré-natais.


A médica reforça que é preciso ter total atenção com as crianças que possuem algum tipo da doença neste momento de pandemia. “Todos temos que seguir as recomendações de saúde, respeitar o distanciamento social, usar máscaras e outros equipamentos de proteção, lavar as mãos constantemente com água e sabão ou álcool, não suspender remédios por conta própria. Mas aqueles que, sabidamente, lidam com crianças cardiopatas devem poupá-las. Poucos sabem, mas há uma vacina chamada Palivizumabe que protege de outras infecções respiratórias, evitando a confusão com a Covid-19 neste momento. Essa vacina é um direito dos cardiopatas congênitos e pode ser tomada pela rede particular ou pelo SUS”, finaliza.


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