• Ana Carla Santiago

Sociedade Brasileira de Dermatologia divulga nota sobre a relação da vitamina D com o novo coronavír


A instituição ainda deu recomendações de saúde para serem seguidas durante a pandemia da Covid-19


Com o aumento das medidas que incentivam o isolamento social, as pessoas estão passando mais tempo dentro de casa. Com essa mudança na rotina, muita gente está deixando de praticar atividades antes corriqueiras, como exercícios físicos e os famosos banhos de sol. Com a baixa frequência e intensidade de exposição solar, os níveis de vitamina D no organismo ficam comprometidos. Ao avaliar a situação, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) lançou uma nota sobre a relação da vitamina D, o sistema imunológico e a Covid-19, com o objetivo de esclarecer para a população sobre o tema e proporcionar recomendações de saúde.


A instituição médica salienta que, até o momento, não há evidências científicas que comprovem a relação da ingestão de vitamina D como medida preventiva ou curativa em relação ao novo coronavírus ou à Covid-19. Os achados identificados devem, portanto, ser analisados e outros estudos realizados para verificação dessa hipótese com rigor metodológico científico.


“Ficamos preocupados com a divulgação, por meio da imprensa e nas redes sociais, de soluções mirabolantes, que apontam o aumento da carga de vitamina D como um fator de aumento de proteção contra a Covid-19. Os poucos indícios nesse sentido ainda precisam ser mais bem-avaliados. Qualquer menção dando conta de que ao tomar comprimidos de vitamina D a pessoa ficará mais protegida contra o coronavírus é prematura e irresponsável”, disse o presidente da SBD, Sérgio Palma, no site oficial da instituição.


As principais fontes nutricionais de vitamina D, segundo a SBD, são alimentos ricos em gordura, como ovos, peixes, leite integral, fígado, queijo, cogumelos, suco de laranja, iogurte, manteiga, além dos alimentos enriquecidos pela indústria. Porém, apenas a alimentação não fornece as doses diárias ideais da vitamina, já que mais de 80% dela é produzida na pele após exposição solar leve e habitual. Por isso, o nível da vitamina D sobre no organismo após algumas atividades, como caminhadas, pendurar roupa no varal ou até mesmo quando o sol toca a pele dentro de casa, por meio da janela aberta.


Entretanto, banhos de sol intencionais não são recomendados para quem está isolado em sua residência, de acordo com a dermatologista Deborah Castro, membro da SBD e atuante no Hospital do IMIP e no NID Dermatologia. “Estudos mostram que a exposição solar não intencional, por 10 minutos diários, é suficiente para a produção adequada de vitamina D, inclusive em dias nublados e chuvosos. A síntese dessa vitamina é muito mais complexa do que apenas tomar banho de sol e envolve diversos fatores, que passam pelo fígado e pelos rins. Se, por algum motivo, o paciente estiver com uma hipovitaminose D, ele precisa procurar um médico e buscar reposição oral dessa vitamina supervisionada”, explica. A SBD afirma que não existe nenhum protocolo seguro para exposição solar intencional como fonte confiável de reposição de vitamina D, já que os resultados dessa exposição são imprevisíveis e não-reprodutíveis.


Outro cuidado necessário é a proteção solar. Deborah Castro diz que não é necessário deixar esse cuidado de lado para ter uma boa produção de vitamina D. “É importante destacar que a síntese de vitamina D não sofre prejuízo pelo uso de filtro solar e também não é necessário expor todo o corpo ao sol, apenas rostos e mãos, por exemplo, já são suficientes para que a síntese vitaminosa seja feita”, pontua.


Vale ressaltar que deve-se evitar situações de exposição solar principalmente de horários das 10h às 15h, já que são os horários de maior intensidade da luz solar, podendo provocar problemas na pele como manchas, aparecimento de sinais, o envelhecimento precoce e até o surgimento de câncer.


Por fim, a SBD recomenda à população, como parte de um conjunto de medidas que visam à promoção da saúde e à prevenção de doenças, a adoção de ações como manter uma alimentação balanceada, praticar atividades físicas regularmente, buscar a exposição ao sol na rotina diária, mas protegendo as áreas de maior incidência solar com filtro solar e vestimentas/chapéu, nos horários com maior irradiação UVB (10-15h). Em caso de deficiência de vitamina D, pode haver suplementação oral, mas sob supervisão médica, pois a superdosagem da vitamina traz sérios riscos à saúde, como toxicidade e hipercalcemia (quando a taxa de cálcio no sangue está acima da considerada normal).



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