• Cristiane Sales

Fernando de Noronha fará levantamento da circulação da covid-19



A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) e Administração do arquipélago de Fernando de Noronha já estão nos preparativos para iniciar, ainda nos próximos dias, o estudo soro-epidemiológico que avaliará a circulação do vírus da Covid-19 na ilha. O levantamento, feito em parceria com o Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Fiocruz Ceará, além da participação de técnicas da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (SVS- MS), analisará a incidência, prevalência e proporção de infecções subclínicas do novo coronavírus entre maio de 2020 e maio de 2021 em Noronha. Para isso, o grupo de pesquisadores realizará uma coorte, que é um tipo de estudo observacional no qual os indivíduos são selecionados segundo o status de exposição, sendo monitorados por um período de tempo para avaliação da incidência da doença. Serão escolhidas, de forma aleatória e randômica, 900 moradores da ilha, que serão testados (RT-PCR, com a coleta do swab nasal-orofaríngeo) e acompanhados em cinco fases: na primeira coleta; após 30 dias; depois de 60 dias; com 180 dias; e após 360 dias do estudo inicial, completando o ciclo de um ano de pesquisa. O grupo selecionado também terá amostras de sangue venoso colhidas para investigação sobre a presença de anticorpos contra a Covid-19. O material biológico será enviado para análise no Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-PE) e Fiocruz (Ceará e Paraná). Após o processamento inicial e liberação dos resultados, as amostras serão encaminhadas para compor uma soroteca no Biobanco do Imip, possibilitando estudos futuros sobre a pandemia na população de Fernando de Noronha. A pesquisa também servirá para compreensão da circulação do vírus em outras regiões do país na medida que seus resultados sejam comparados com resultados de estudos semelhantes realizados em outras localidades e unidades federadas. O trabalho científico está submetido à aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa do Imip (SIGAP-IMIP, que faz parte do sistema do Comitê Nacional de Ética em Pesquisa (Conep). Um primeiro parecer do SIGAP-IMIP favorável ao projeto já foi concedido ao grupo de pesquisadores. A análise final deve ser divulgada nos próximos dias. O estudo se soma às várias ações que já estão em andamento na ilha. Desde a primeira confirmação de caso, a Superintendência de Saúde de Fernando de Noronha vem monitorando os todos os casos da COVID-19 positivos, assim como realizando a investigação dos moradores sintomáticos e dos assintomáticos, contactantes diretos de casos confirmados. Permanentemente são realizadas ações de bloqueio e isolamento. Além disso, todos os moradores do arquipélago estão em quarentena desde o dia 20 de abril (a quarentena foi estendida, hoje, por meio de Decreto assinado pelo governador Paulo Câmara, até o dia 10 de maio), sendo permitida a circulação de pessoas nas vias públicas para o atendimento de necessidades essenciais e imediatas. (aquisição de gêneros alimentícios, remédios e produtos de higiene; obtenção de atendimento ou socorro médico; atividade de pesca, restrita a três pessoas por embarcação; e realização de serviços bancários). O morador deve solicitar, por meio do preenchimento de um formulário, a autorização da administração de Fernando de Noronha. A administração de Fernando de Noronha também inaugurou, no último sábado (25/04), com o apoio da SES-PE, um hospital de campanha para atender pacientes com suspeita ou confirmação da Covid-19. O serviço funciona em uma área de 132 m² da Escola Arquipélago e conta com 6 leitos (2 leitos de estabilização e 4 de enfermaria) - em caso de máxima lotação, a estrutura poderá ampliar sua capacidade. Já o Hospital São Lucas (HSL), unidade estadual localizada na ilha, dispõe de 14 leitos (12 enfermarias e 02 salas vermelhas) e está preparado para atender todas as demandas de urgência e emergência da ilha. Atualmente, Fernando de Noronha tem 28 casos confirmados da doença e nenhum óbito. "O estudo desenvolvido em Noronha dará condição de monitorar de perto e de forma efetiva, já que será realizado em uma amostra muito significativa da população local, como se dá o contexto da transmissibilidade da Covid-19 no arquipélago, ajudando a escolher quais as estratégias de contenção de vírus que podem ser deflagradas. O levantamento realizado ao longo de um ano também será fundamental para avaliar as condições para início do relaxamento do isolamento social, que entendemos que é importante que aconteça, mas sempre baseado em critérios científicos, evitando, assim, efeitos rebote ou uma segunda onda da pandemia do novo coronavírus", pontua o secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo.

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