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  • Ana Carla Santiago

Saúde da Mulher: a importância da prevenção ginecológica



Com a celebração do Dia Internacional da Mulher, um assunto que muitas vezes é deixado de lado é os cuidados com a saúde feminina. A rotina das mulheres vem se tornando, cada vez mais, agitada, muitas vezes com dupla ou tripla jornada. Por causa de tantas tarefas cotidianas, muitas delas acabam negligenciando a prevenção e os cuidados com a saúde, principalmente quando o quesito é saúde ginecológica. Além disso, baixa escolaridade e difícil acesso para mulheres de baixa renda também são fatores que influenciam na falta de cuidados com a saúde.


De acordo com a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), cerca de 4 milhões de brasileiras com mais de 16 anos nunca realizaram uma consulta com um ginecologista. Além disso, 5,6 milhões de pessoas em todo o país estão há quatro anos ou mais sem se consultar com esse tipo de profissional. A instituição revela que a maioria dessas mulheres não realiza consultas por se declarem saudáveis ou por não considerarem a visita importante. Esses são dados preocupantes e que revelam que muitas mulheres ainda consideram a ginecologia como um tabu, por sentirem vergonha ou medo de detectar algum problema, ainda de acordo com a Febrasgo. Em comparação, 43% das entrevistadas revelaram que frequentam o ginecologista pelo menos uma vez ao ano.


Segundo Tatianna Ribeiro, ginecologista obstetrícia especializada em Reprodução Humana, que atua na Clínica Rehgio (Brasília-DF), a maioria das pacientes realizam consultas para se prevenir e cuidar de problemas como corrimento ou coceira na região vaginal. “Além disso, cada vez mais as mulheres estão conseguindo quebrar tabus e o tema sexualidade e libido também vem sendo bastante frequente”, revela.


A ginecologista reforça que a atenção à saúde deve se estender a todas as faixas etárias, já que a fisiologia do organismo feminista está sempre em transição. “Nosso corpo sofre alterações hormonais e isso implica em sintomas diferentes e tolerâncias diferentes dependendo do limiar de cada mulher perante flutuações. Adolescentes, mulheres jovens, maduras ou em fase de climatério, todas devem manter a saúde ginecológica em dia”, explica.


Um dos problemas mais preocupantes em relação à saúde da mulher é o câncer de colo do útero. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), em 2020, são esperado mais de 16 mil novos casos no Brasil, com um risco estimado de 12,6 casos a cada 100 mil mulheres. Apesar de ser raro em mulheres até os 30 anos (a maioria dos casos ocorrem em mulheres de 45 a 50 anos), a prevenção é essencial para que a doença seja evitada. A prevenção primária do câncer de colo uterino está relacionada à diminuição do risco de contágio pelo papilomavírus humano (HPV). Tatianna Ribeiro explica que a transmissão da infecção pelo HPV ocorre por via sexual, presumidamente através de microlesões na mucosa ou na pele da região anogenital. Consequentemente, o uso de preservativos durante a relação sexual com penetração protege parcialmente do contágio pelo HPV, que também pode ocorrer através do contato com a pele da vulva, região perineal, perianal e bolsa escrotal.


A especialista reforça a importância dos cuidados e da prevenção desde cedo, já que a vacinação contra o HPV em conjunto com o exame preventivo (o Papanicolau) se complementam para esse objetivo. “Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), com uma cobertura da população-alvo de, no mínimo, 80% realizando Papanicolau e a garantia de diagnóstico e tratamento adequados dos casos alterados, é possível reduzir, em média, de 60 a 90% a incidência do câncer cervical invasivo”, pontua. A faixa etária para a vacinação contra o HPV é de pré-adolescentes e jovens de 9 a 14 anos.


Tatianna comenta que para realizar uma consulta ginecologista, as principais dicas são não ter vergonha e se sentir confortável com o seu (sua) médico (a), conversando sobre tudo que está incomodando a paciente. Sexualidade, desejos ou não de gravidez, dor pélvica e histórico familiar de trombose ou câncer, por exemplo, são algumas questões importantes e que devem ser levadas em consideração durante a consulta.

Antes de visitar o (a) ginecologista, alguns pré-requisitos citados pela médica são: evitar relações sexuais dois dias antes da consulta; agendá-la, sempre que possível, para sete dias após a menstruação; esvaziar a bexiga antes do exame físico e relaxar durante o processo, já que contrair os músculos pode causar dores. “Em relação às meninas que nunca foram ao ginecologista, é importante ir para conversar com o (a) médico (a) sobre relação sexual, contracepção, menstruação e qualquer outra dúvida. As mães não precisam entrar no consultório, assim podem deixar a filha mais à vontade, permitindo que ela tenha uma conversa a sós com o especialista”, finaliza Tatianna Ribeiro.

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