banner1.jpg
  • Ana Carla Santiago

Janeiro Roxo: dermatologista fala sobre os cuidados com a hanseníase


Foto: Alisson Matias/Divulgação

O ano começa já com uma campanha bastante importante quando falamos sobre cuidados com a saúde: o Janeiro Roxo, que visa combater, prevenir e conscientizar a população sobre a hanseníase. O mês foi escolhido por causa do Dia Nacional de Combate e Prevenção à Hanseníase, celebrado sempre no último domingo de janeiro. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil ocupa o segundo lugar mundial em relação a novos casos da doença desde 2017, ficando atrás apenas da Índia.


A hanseníase é uma das enfermidades mais antigas da humanidade. Uma doença crônica, contagiosa e, muitas vezes, negligenciada, ela se manifesta no corpo por manchas clara, róseas ou avermelhadas, que com diminuição ou ausência completa de sensibilidade ao calor, ao frio ou ao toque. Caroços e doenças pela pele, dormências, diminuição da força muscular, além de inchaços nas mãos ou nos pés são alguns dos sintomas visíveis do problema. Formigamentos e sensação de choque nos braços e nas pernas, problemas nos olhos e entupimento nasal também são alguns sinais que alertam sobre a presença da hanseníase.


A doença pode ser adquirida pelas vias respiratórias, em convívio prolongado e frequente, por cerca de cinco anos, com uma pessoa que tenha hanseníase e não esteja realizando tratamento. O problema tem cura e não deixa sequelas quando diagnosticado precocemente e tratado da maneira correta. O diagnóstico é essencialmente clínico e epidemiológico, realizado através do exame geral e dermatoneurológico para identificar lesões ou áreas da pele com alteração de sensibilidade ou comprometimento dos nervos periféricos.


De acordo com a dermatologista Taísa Braga, que atua na Nid Dermatologia, a hanseníase já deveria ter sido erradicada do Brasil, contudo segue com índices crescentes. No Recife, o aumento de casos foi de 26,3% de 2018 a 2019, de acordo com Prefeitura da cidade. “A hanseníase é um sério problema de saúde pública, a falha no Brasil no combate a essa endemia ocorreu porque a doença deixou de ser prioridade nos programas de saúde. Um dos motivos para isso pode ter sido a alteração do nome de “lepra” para “hanseníase”, que visava a redução do preconceito que o nome causava, mas em contraposição terminou por reduzir a preocupação com o tratamento e com a propagação de informações sobre a doença”, opina a médica.


O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza os procedimentos e acompanhamento da doença em unidades básicas de saúde e referência. O tratamento é realizado com Poliquimioterapia (PQT), uma associação de antibimicrobianos, recomendado pela OMS. Essa associação diminui a resistência medicamentosa do bacilo que causa a hanseníase. O paciente deve tomar a primeira dose mensal supervisionada por um profissional de saúde, enquanto as outras podem ser auto-administradas. Ao iniciar o tratamento, o paciente deixa de ser transmissor da doença. O processo de cura pode durar de seis a doze meses, a depender do subtipo da hanseníase. Quando tratado tardiamente, o problema pode causar deformidades e incapacidades físicas.



#JaneiroRoxo #Hanseníase #Dermatologia #OMS #NIDDermatologia

Artigo02.png
banner2.jpg
WhatsApp Image 2020-10-07 at 11.28.55.jp
Banner01.png
Arquivo