• Ana Carla Santiago

Fatores sociais e psicológicos podem agravar a gagueira



Repetição de sílabas e longas pausas durante a fala que atrapalham a comunicação. Essas são as principais características de quem possui gagueira, um distúrbio neurobiológico na temporalização da fala, que afeta a sua fluência. Ou seja, a pessoa afetada não consegue ajustar o tempo e a duração dos sons quando vai se comunicar. Falar se torna uma tarefa trabalhosa e a ligação entre sons, sílabas, palavras e frases não ocorre de maneira espontânea.


O distúrbio se manifesta, geralmente, em crianças antes dos 6 anos de idade e afeta mais os meninos do que as meninas. As principais causas são condições médicas, podendo ocorrer devido a um AVC ou lesões intracranianas, por exemplo, e genética. Além disso, existem fatores que podem agravar o problema em pessoas que tenham pré-disposição orgânica à gagueira, como os psicológicos e emocionais (sentimentos de medo, ansiedade, timidez e insegurança diante de situações que envolvam a comunicação), assim como os sociais (quando o paciente está inserido em um ambiente familiar ou escolar que afete a sua forma de falar).


De acordo com o Instituto Brasileiro de Fluência, 5% da população do país apresentam períodos de gagueira, enquanto o distúrbio atinge de forma crônica 1% dos brasileiros. Os sinais são bastante aparentes: repetição ou prolongamento de sons e sílabas, dificuldade para iniciar uma palavra ou frase, bloqueio de sons e movimentos motores involuntários da face. Muitas vezes, a ansiedade, tensão muscular e estresse afetam a pessoa quando ela se sente pressionada a se comunicar em público, sensações que geralmente não se manifestam quando estão na sua zona de conforto. A autoestima e o emocional acabam sendo afetados.


Segundo a fonoaudióloga Fernanda Limongi, fundadora da ONG “Ser em Cena”, pessoas afetadas pela gagueira conseguem cantar ou recitar um poema, por exemplo, sem gaguejar. “Isso acontece porque a região do cérebro estimulada na fala não espontânea, o hemisfério direito, é diferente da região responsável pela falta de sincronia que surge na fala espontânea, o hemisfério esquerdo. Além disso, acompanhar um ritmo de fala ou canto, de modo automático, faz com que a pessoa se comunique com fluência”, explica a especialista.


Não existe, entretanto, um protocolo padrão para diagnosticar a gagueira. É levado em conta, principalmente, a dificuldade da fala por mais de seis meses, análise dos sintomas citados e histórico familiar. Em caso de suspeitas, o paciente deve buscar a ajuda profissional de um fonoaudiólogo, que dará as orientações necessárias.


O tratamento da gagueira pode envolver o uso de medicações que agem no sistema neurológico, contudo deve ser realizado, também, com acompanhamento de um fonoaudiólogo para evitar que o distúrbio se torne crônico e fazer com que o paciente melhore a fluência da fala. Além disso, a Psicoterapia também é indicada para acompanhamento das questões emocionais afetadas pelo problema. A participação da família e/ou responsáveis é essencial para que a pessoa com gagueira obtenha sucesso durante o procedimento.


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