• Ana Carla Santiago

Nutricionista explica como a alimentação e a má-digestão podem afetar o organismo


Entenda o processo da digestão e como seus hábitos podem influenciar no surgimento de doenças


A digestão é um processo que começa na boca, onde a enzima amilase salivar digere o carboidrato dos alimentos que consumimos. Neste momento, a mastigação possui um papel crucial: é por meio dela que é formada uma massa alimentar que entra em contato com o suco gástrico (composto, principalmente por ácido clorídrico e a enzima pepsina), dando início à digestão das proteínas. Tal ação resulta em um “quimo”, que chega ao intestino delgado, onde acontece o final da digestão das proteínas pela tripsina e dos carboidratos pela amilase pancreática. Quem nos explica todo o processo é a nutricionista Ana Karla Ferrer Soares, que atua no Hospital Universitário Osvaldo Cruz (HUOC/PE) e é Coordenadora do curso de Nutrição da Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO), em Recife.


Após toda essa atividade, o corpo se prepara para digerir as gorduras com a emulsificação das mesmas pelos sais biliares que provêm do fígado. Eles são ejetados no intestino em consequência da contração da vesícula biliar, onde a bile é armazenada. “Uma vez emulsificada, a gordura passa a ser atacada pela lipase pancreática, que finaliza a sua digestão. Então, os nutrientes estão prontos para serem absorvidos”, explica a Nutricionista.


Apesar da sua mecânica, a digestão pode ser afetada pela ingestão de alimentos pesados e não saudáveis. O alto consumo de fast foods ricos em gorduras e proteínas de difícil digestão e cheio de conservantes e corantes são frequentes causadores de males ao nosso corpo. O estresse e o uso crônico, sem prescrição média, de inibidores de secreção ácida (antiácidos), além de alimentos contaminados com a bactéria Helicobacter pylori, também podem afetar o processo e causar o que chamamos de má digestão. “Existem também algumas doenças que, como consequência, afetam a nossa digestão, como: refluxo gastroesofágico, hérnia de hiato, gastrites e úlceras, doença celíaca, síndromes de má-absorção, intolerâncias e alergias alimentares”, complementa Ana Karla.


É importante ficar atento para manter uma alimentação saudável, pois as consequências de uma digestão ineficiente são grandes. Segundo a nutricionista, a principal delas é a desnutrição celular, porque se os nutrientes não são bem absorvidos, as células não vão funcionar como deveriam. “Por causa disso, os órgãos podem ser afetados e desenvolver diversos problemas, entre eles: diarreia, presença de gordura nas fezes (esteatorréia) e esofagite de refluxo que, por agressão crônica e contínua das paredes esofágicas pelo ácido estomacal, pode desenvolver a metaplasia (esôfago de Barret) e o câncer de esôfago”, alerta.


Ana Karla explica que todos nós precisamos estar atentos a esses cuidados para evitar a má-digestão crônica, entretanto os idosos são mais frequentemente atingidos por esse mal. “Eles são mais afetados por já desenvolverem algum grau de deficiência na produção de enzimas digestivas e diminuição dos movimentos peristálticos que impulsionam o movimento do bolo alimentar no trato digestório”, explica.


A melhor maneira de evitar a má digestão, conforme explica a nutricionista, é ter o hábito de uma mastigação adequada e consumir alimentos saudáveis, preparados sem excesso de gorduras e proteínas. Os melhores são as frutas e verduras, além de chás, como os de hortelã e gengibre, evitando os fast foods e comidas industrializadas. Não consumir líquidos durante as refeições (somente 1h antes ou 2h após alimentar-se), assim como evitar roupas apertadas, deitar e se abaixar após a alimentação são outros pontos importantes para uma boa digestão. “E não devemos esquecer que os antiácidos também influenciam nesse processo. O seu uso, apenas com prescrição médica e por tempo determinado”, reforça.



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