• Ana Carla Santiago

Guillain Barré: dormência ou formigamento são os sintomas iniciais da síndrome



A Síndrome de Guillain Barré é um conjunto de sintomas que decorrem da inflamação de nervos e raízes nervosas (tanto motoras, quanto sensitivas) e autonômicas (responsáveis pelo controle da pressão arterial e da frequência cardíaca). Os primeiros sinais se iniciam pelas queixas de sensibilidade alterada, ou seja, dormência ou formigamento nos pés que progride de forma bastante rápida para braços e pernas. Isso significa que a doença tem evolução aguda, ascendente e, na maior parte dos casos, simétrica.


De acordo com o neurologista Eduardo Melo, que atua no Hospital das Clínicas (UFPE) e no Hospital Universitário Oswaldo Cruz (UPE), geralmente a doença compromete a força muscular e, em casos mais graves, afeta a musculatura respiratória e oscilações importantes da pressão arterial e da frequência cardíaca.


Ainda conforme explicação do especialista, a Síndrome de Guillain Barré pode ocorrer após processos infecciosos bacterianos e virais (tanto respiratórios, quanto gastrointestinais) e também após a administração de vacinas, apesar de serem poucos os casos. “Os agentes infecciosos mais descritos são: Campilobacter jejuni, Haemophilus influenzae, Mycoplasma pneumoniae, Citomegalovírus, Epstein Bar e, mais recentemente, o Zika vírus. Apesar do acometimento da Síndrome após vacinas, essas não devem ser desencorajadas, já que essa complicação é muito rara”, esclarece.


O diagnóstico da enfermidade é feito por meio de histórico clínico e exames físicos, principalmente o neurológico. São detectados sinais como fraqueza, alterações de sensibilidade e prejuízo de reflexos profundos. “Deve-se proceder à coleta do líquido céfalo-raquidiano, o mesmo exame realizado para diagnóstico de meningite, para confirmar inflamação, além da realização do eletroneuromiografia, exame que avalia a função dos nervos e raízes”, explica Melo.


A incidência da doença em todo o mundo é bastante baixa. De uma a duas pessoas a cada 100 mil são acometidas, com proporção de 3 homens a cada 2 mulheres, segundo o médico. Não existe idade específica para o desenvolvimento da Síndrome, mas é necessário ter uma maior atenção com pessoas acima dos 50 anos que apresentem os sintomas descritos. Quanto à prevenção, ainda não existe uma definição concreta para evitar o problema.


Eduardo Melo explica que o tratamento deve ser realizado em hospital, preferencialmente em ambiente de terapia intensiva (UTI), pois a insuficiência respiratória e as variações de pressão e arritmias podem piorar o estado de saúde do paciente. Em casos específicos, deve-se utilizar medicação venosa para bloquear a inflamação (imunoglobulina) ou retirar anticorpos anormais através de um filtro por onde passa o sangue do paciente.


“O suporte da UTI nos primeiros dias é fundamental para boa recuperação. Posteriormente, saindo da fase aguda, a reabilitação é fundamental para esses pacientes, através de uma equipe multiprofissional e interdisciplinar com Fisioterapeuta, Terapeuta Ocupacional, Nutricionista, Assistente Social, Psicólogo, Educador Físico e Médico Neurologista”, finaliza o neurologista.



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