• Ana Carla Santiago

Epilepsia: neurocirurgião explica quais os sintomas, diagnóstico e tratamento da doença



A epilepsia é uma alteração temporária do funcionamento cerebral em que, durante alguns segundos ou minutos, uma parte do cérebro emite sinais elétricos anormais, causando sintomas clínicos - as chamadas “crises convulsivas” ou, simplesmente, convulsões. As causas da epilepsia podem ser tanto genéticas, quanto relacionadas a qualquer doença que acomete o cérebro, entre elas a anóxia neonatal, tumores cerebrais, meningite ou derrames.


De acordo com o neurocirurgião Francisco Vaz, que atua no Real Hospital Português, os principais sintomas são as crises convulsivas. Durante essas crises, os pacientes podem apresentar comportamento anormal, sintomas sensitivos e motores variados, até a perda completa da consciência. “Quando a atividade cerebral anormal afeta os dois lados do cérebro, os pacientes podem apresentar crises convulsivas tônico-clônicas generalizadas, em que há, além da perda da consciência, abalos musculares por todo o corpo, salivação excessiva e eliminação involuntária da urina”, esclarece.


Segundo Vaz, o diagnóstico é realizado a partir do histórico clínico e de exame neurológico, logo depois de confirmado pelo exame de eletroencefalograma. Caso haja suspeita de doenças infecciosas, como a meningite bacteriana, é necessária a coleta do líquido céfalo-raquiano para exame, também conhecido como “líquor”, através de punção da região lombar da coluna. “Também é preciso investigar outras doenças causadoras da epilepsia, como tumores e hemorragias cerebrais. Nesse caso, tomografia e ressonância do crânio são exames importantes a serem realizados”, explica o especialista.


Cerca de 1% da população mundial possui epilepsia e, no Brasil, estima-se que 15 a cada 1000 habitantes, aproximadamente, sejam acometidos pela doença. Estudos sugerem que probabilidade geral de uma pessoa ser acometida por epilepsia ao longo da vida é de cerca de 3%. Conforme explicação de Vaz, a incidência maior da doença é no primeiro ano de vida, depois diminui e volta a aumentar após os 60 anos de idade.


O neurocirurgião explica que o tratamento consiste no uso diário de medicações antiepilépticas. Em alguns casos, é preciso usar mais de uma medicação. “Em casos específicos, o tratamento cirúrgico pode ser uma opção segura e extremamente eficaz, devendo ser realizada em centros de referência e com equipe profissional multidisciplinar especializada”, reforça.


Existem algumas formas de prevenção para o problema. Algumas doenças que podem causar epilepsia (anóxia neonatal em bebês, meningite em crianças e doenças cerebrovasculares em adultos) podem ser prevenidas com um acompanhamento pré-natal adequado, vacinação e controle apropriado de fatores de risco para doenças cerebrovasculares, como hipertensão e diabetes, respectivamente. “Para os casos primários de epilepsia, não existe prevenção. Quando existe um fundo genético, o aconselhamento e orientação familiar são recomendados”, conclui o neurocirurgião.


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