• Ana Carla Santiago

Doutores da Alegria comemoram 16 anos de atuação no Recife


Com certeza todos nós já ouvimos falar nos Doutores da Alegria e de suas atuações nos hospitais do Recife. Uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos, os Doutores utilizam a arte do palhaço no universo da saúde para interagir com crianças, adolescentes e outros públicos em situação de vulnerabilidade e risco social em hospitais públicos. O projeto foi fundado em 1991 pelo ator, formador e empreendedor social Wellington Nogueira, sendo pioneiro nesse segmento no Brasil e até hoje reforçando a cultura como um direito de todos.


Nogueira se baseou no projeto Big Apple Circus Clown Care Unit, implantado nos Estados Unidos com o objetivo de levar palhaços profissionais para visitar crianças hospitalizadas. Na década de 90, ele implantou o programa nos mesmos moldes, inicialmente em São Paulo, nomeando-o de Doutores da Alegria. Em 2003, a capital pernambucana foi escolhida como ponto de chegada da organização no Nordeste brasileiro. O projeto selecionou artistas atuantes em Recife para integrar o elenco, valorizando a cultura local e ampliando o espaço do palhaço.


Arilson Lopes, coordenador artístico da unidade Recife dos Doutores da Alegria, revela que a Associação Doutores da Alegria, ao longo de 28 anos de atividades - sendo 16 destes na capital de Pernambuco -, já realizou mais de dois milhões de visitas hospitalares. “O projeto é gratuito para os hospitais e mantido com o apoio de patrocinadores, doações de pessoas e por meio de atividades que geram recursos, como palestras e parcerias com empresas”, explica o coordenador, conhecido como Dr. Ado.


Atualmente, o projeto atua em quatro hospitais do Recife: Hospital da Restauração, Hospital Universitário Oswaldo Cruz/Procape, Hospital Barão de Lucena e Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP). Geralmente, as visitas são realizadas em dupla (que permanece a mesma durante todo o ano) a um mesmo hospital, duas vezes por semana, seis horas por dia. De acordo com Lopes, em 2018 foram realizadas mais de 66 mil intervenções artísticas para crianças hospitalizadas, acompanhantes e profissionais de saúde. “Também realizamos ações fora dos hospitais. Nas datas comemorativas, como Carnaval, São João e Natal, temos iniciativas especiais nos hospitais e para o público externo”, explica.


Quanto à precaução, Arilson Lopes reforça: basta respeitar os limites da criança. Caso ela não permita a entrada dos palhaços na enfermaria, é preciso esperar o tempo dela. “Sempre buscamos uma forma de interação, seja com uma música, um jogo, uma conversa. As crianças, muitas delas em tratamentos longos, não olham para a gente como um visitante eventual, mas como um integrante daquele ambiente”, comenta. Além disso, todos os meses, a equipe de palhaços elabora relatórios a partir das vivências construídas com os pacientes no dia a dia, que são enviados para os hospitais e também disponibilizados no site www.doutoresdaalegria.org.br.


E como se tornar um voluntário da Associação? Essa é uma dúvida frequente. Existe um programa importante da Associação, chamado de Escola Doutores da Alegria, que oferece formações diversas para o público em geral e para artistas. Entretanto, Arilson reitera que o Doutores da Alegria não possui voluntários em sua equipe, tanto artística quanto técnica. A atuação é realizada com artistas profissionais, atores e palhaços, devidamente remunerados pelo trabalho, que exige uma enorme preparação e encontros semanais de aperfeiçoamento e treinamento. Atualmente, o elenco em Recife é formado por 13 atores. “Para fazer parte do nosso time é necessário ser palhaço ou ator profissional, com DRT, e ter experiência na linguagem do palhaço. Existem três etapas para a seleção: análise de currículos, oficinas e teste no hospital”, explica Lopes.


Segundo o coordenador artístico, atualmente os Doutores da Alegria desenvolvem o Programa de Palhaços, com visitas semanais em 12 hospitais de São Paulo e do Recife. No Rio de Janeiro, eles atuam com o projeto Plateias Hospitalares, que completa dez anos em 2019 e mantém uma programação artística permanente e diversa em sete hospitais da cidade.



Programação especial


Em setembro, o projeto terá uma programação especial para comemorar os 16 anos de atuação no Recife. Os artistas apresentaram dois Conta Causos, nos dias 14 e 21 deste mês, na Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco. No dia 29 de setembro, às 8h30, será realizado a 6ª edição do “Bobociclismo - O passeio ciclístico mais bobo do mundo”, com saída do Parque da Jaqueira. No mesmo dia, a partir das 16h, haverá o encerramento da mostra Transborda Camarotti 10 anos, no Teatro Marco Camarotti, no Sesc Santo Amaro, com apresentação de um cabaré de palhaços.


#DoutoresdaAlegria #Bobociclismo

Artigo02.png
WhatsApp Image 2020-10-07 at 11.28.55.jp
Banner01.png
Arquivo

Copyright © 2018 Saúde e Bem Estar