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  • Ana Carla Santiago

Alzheimer é responsável por até 70% dos casos de demência no mundo


Foto: Pixabay

No Dia Nacional de Conscientização da Pessoa com Alzheimer, o geriatra Daniel Gomes fala sobre sintomas, diagnóstico, tratamento e prevenção


Lapsos de memórias recentes com muita frequência, problemas na linguagem e dificuldade de lembrar nomes de pessoas, objetos e até mesmo do trajeto para casa. Esses são os primeiros sintomas do Alzheimer, doença degenerativa do cérebro que representa a principal causa da demência no mundo inteiro, responsável por até 70% dos casos. Uma enfermidade progressiva e, até os dias de hoje, incurável, que prejudica as funções cognitivas e os comportamentos dos pacientes, levando-os a perder sua autonomia e independência progressivamente.


A doença de Alzheimer pode causar a deterioração das funções executivas, que engloba a capacidade de planejamento, abstração e julgamento. Com o tempo, transformações na personalidade e comportamento do pacientes podem ser notadas: apatia, depressão, agressividade, agitação, alucinações e até mesmo atitudes socialmente inapropriadas (como falar palavrões e fazer gestos e atos obscenos) são algumas dessas mudanças. Todas essas alterações acarretam em prejuízo na capacidade das pessoas de desempenharem tarefas cotidianas, desde as mais complexas até as mais simples, como a higiene pessoal.


Segundo o geriatra Daniel Gomes, que atua no Hospital das Clínicas da UFPE, o mecanismo exato que leva uma pessoa a desenvolver a doença ainda permanece incerto. Entretanto, acredita-se que as alterações patológicas no cérebro começam a surgir cerca de 15 anos antes do início das manifestações clínicas do problema. “Sabe-se, contudo, que ocorre um depósito anormal no cérebro, especialmente de uma substância chamada peprídio beta amiloide. Isso exerce um efeito tóxico que acaba resultando em morte de neurônios”, explica.


O principal fator de risco para a Doença de Alzheimer é a idade avançada. A doença é mais prevalente entre os idosos, manifestando-se, geralmente, após os 60 anos de idade. A partir daí, a cada dez anos, a incidência da doença duplica. Segundo Gomes, outro fator de risco é o histórico familiar. Pessoas cujos pais apresentaram Alzheimer, principalmente de forma precoce, têm maior chance de desenvolverem a enfermidade. “Portadores de Síndrome de Down também têm risco aumentado. Obesidade, hipertensão, diabetes, tabagismo, sedentarismo e baixa escolaridade são outros fatores de risco para a doença”, complementa o especialista.


A prevalência da doença está aumentando significativamente nas últimas décadas, visto que a população mais velha está vivendo mais. Acredita-se que existam no mundo, em média, 35 milhões de pessoas com a doença. No Brasil, esse número é de cerca de 1,2 milhão, boa parte desses casos ainda sem diagnóstico. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença poderá predominar três vezes mais até 2050.


De acordo com Gomes, o diagnóstico do problema é clínico, baseado na história dos sintomas da pessoa junto à avaliação das funções cognitivas realizada no consultório. Ele explica que habitualmente são feitos exames complementares, laboratoriais e de imagem, com o objetivo de afastar outras condições que podem apresentar manifestações semelhantes às do Alzheimer.


Até o momento, não existe cura ou um tratamento que reverta as mudanças provenientes da doença e pare sua evolução. Entretanto, existem medicações que atenuam as manifestações clínicas, diminuindo a velocidade da progressão da enfermidade. “São medicações meramente sintomáticas, mas temos esperanças. Nos últimos anos, muito se avançou no entendimento das alterações que levam à doença. Esperamos que, num futuro não muito distante, tenhamos opções de tratamentos mais eficazes”, comenta o geriatra.


O especialista reforça a eficácia de tratamentos não-farmacológicos aos pacientes com Alzheimer, como a reabilitação cognitiva, em que são realizadas várias atividades e treinamentos com o objetivo de estimular o raciocínio lógico e a memórias, por exemplo. Além disso, incentivar a prática de exercícios físicos regulares é fundamental para minimizar o declínio funcional dos pacientes. Tais terapias são especialmente úteis nas fases mais iniciais da doença.


Daniel Gomes explica que é possível reduzir o risco da doença. Baseado em evidências científicas, acredita-se que até um terço de casos de demência podem ser prevenidos com a adoção de um estilo de vida saudável e o controle eficaz de fatores de risco modificáveis da doença, como hipertensão e tabagismo.


Em 2017, a OMS lançou um documento com as diretrizes para prevenção de declínio cognitivo, que incluem: atividade física regular, controle do peso, cessação de tabagismo, dieta saudável, controle ao abuso do álcool, controle e tratamento adequado de hipertensão arterial, diabetes e hipercolesterolemia, aumento da atividade e interação social, controle e tratamento da depressão e da perda de acuidade auditiva. “Quanto mais cedo adotarmos essas medidas em nossas vidas, maiores são nossas chances de evitarmos o desenvolvimento da Doença de Alzheimer”, conclui o geriatra.



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