• Ana Carla Santiago

Síndrome do Ninho Vazio: qual o impacto da saída dos filhos de casa



Em uma família onde há filhos, cuidar e protegê-los são missões essenciais para pais e mães. Quando eles crescem e decidem em que áreas vão estudar e/ou trabalhar, o desejo de sair da casa é muitas vezes espontâneo e ligado à independência. Mas como os pais podem lidar com essa “separação” dos seus filhos sem sofrer com sintomas psicológicos do abandono?


O sofrimento e a tristeza que alguns pais sentem com a saída dos seus filhos de casa levam o nome de Síndrome do Ninho Vazio (SNV). Quem passa por isso tem a sensação que a sua função parental não possui mais relevância. Isso também está ligado a uma dependência emocional que muitos pais acabam desenvolvendo ao criarem seus filhos e quando eles vão embora, os sintomas começam a surgir.


De acordo com a psicóloga Adriana Sartori, mestra no tema pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), a síndrome do ninho vazio começa como uma tristeza leve e pode evoluir até a depressão. "Só se pode falar em SNV quando esse sofrimento se estende por mais de seis meses e impossibilita os pais de continuarem sua rotina com o mesmo prazer que tinham antes dos filhos saírem", explica a psicóloga.


É importante estar atento: a Síndrome do Ninho Vazio pode ser intensa e até causar depressão. Ela não possui um diagnóstico clínico, mas pode ser observada a partir de comportamentos diferentes dos pais. Sentimentos de desânimo, tristeza, perda e ansiedade podem ser considerados normais até nos primeiros meses depois da partida do filho. Entretanto, o problema deve ser investigado e acompanhado por especialistas quando se estende por mais de seis meses e começa a afetar a personalidade e o cotidiano dos pais, deixando-os vulneráveis a males como distúrbios depressivos, alcoolismo, conflitos conjugais e crise de identidade, por exemplo.


"Hoje, é comum encontrarmos pacientes homens falando do 'vazio' após a saída dos filhos. Mas as mulheres ainda são mais atingidas pela síndrome por passarem mais tempo do que eles na criação dos filhos e manutenção da casa", argumenta Sartori.


É possível evitar o desenvolvimento da Síndrome, assim como tratá-la, a partir de atividades simples, que ocupem o tempo do paciente. Praticar atividades físicas, realizar cursos, viagens e buscar hobbies são exemplos do que pode ajudar neste período de saudade e tristeza. Reinventar a rotina após a partida dos filhos de casa pode ajudar a afastar o sentimento de inutilidade e vazio. Porém, caso os sintomas estejam presentes há bastante tempo, é necessário buscar tratamento com médicos especialistas e o apoio de amigos e familiares.


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