• Ana Carla Santiago

Síndrome de Irlen: com diagnóstico difícil, a doença tem como principal sintoma a fotofobia


Oftalmologista ressalta que o desconhecimento sobre a doença é o principal fator a ser combatido


A Síndrome de Irlen ainda é pouco conhecida no Brasil, apesar de ter uma alta prevalência no mundo todo, atingindo entre 12% e 14% da população geral. Em geral, o transtorno está associado ao deficit de atenção e dislexia, e, muitas vezes, é descoberto através de investigação oftalmológica em indivíduos que se encaixam nesses casos. Entretanto, a Síndrome está diretamente ligada à visão e, geralmente, acaba passando despercebida em diagnósticos.


O conceito da síndrome é de uma alteração da percepção visual causada por um desequilíbrio da capacidade de se adaptar à luz. Como consequência, diversas alterações ocorrem na área cerebral responsável pela visão (o córtex visual), provocando, entre outros problemas, a dificuldade para leitura. As letras parecem estar se mexendo, vibrando ou desaparecendo, além de haver dificuldade para focar em palavras, dor nos olhos, sensibilidade à luz e dificuldade para identificar objetos tridimensionais.


Segundo o oftalmologista Ermano Melo, que atua na clínica Oftalmax, o principal sintoma é a fotofobia (aversão à luz), mesmo em uma intensidade considerada normal para a maioria das pessoas. A síndrome provoca uma imensa dificuldade para leitura e desconforto em situações usuais, como, por exemplo, enxergar faróis de carros e luzes de postes. Além disso, as habilidades viso-espaciais são prejudicadas, pois as letras ficam desfocadas, tremem e provocam a dificuldade de leitura, o que reduz o rendimento estudantil, por exemplo.


Outro sintoma recorrente é a restrição do foco, impedindo a visualização de todas as letras de uma palavra, o que dificulta a focalização e a atenção do portador durante a leitura e os estudos. Como consequência, gera estresse visual e cansaço ocular, com lacrimejamento, ardor, ressecamento, olhos vermelhos e até mesmo cefaleia intensa. “Por fim, o paciente também pode apresentar diminuição da estereopsia, ou seja, a dificuldade de ter uma visão em profundidade - a visão tridimensional. Isso dificulta a realização de tarefas simples, como dirigir, praticar esportes com bola e subir e descer escadas”, conclui o especialista.


Conforme a explicação de Melo, o diagnóstico é difícil por se tratar de um transtorno pouco conhecido, mesmo entre profissionais da área de saúde. É preciso conhecer bem a patologia para que o médico dê as orientações precisas durante o tratamento. Para identificar a Síndrome, existe um teste de rastreamento conhecido como Método Irlen.


“O teste é feito através da interposição de uma ou mais transparência coloridas na leitura de textos da observação da melhora de distorções visuais. O tratamento é realizado pelo uso constante da transparência com a cor selecionada nas diversas atividades de leitura. Ou seja, o uso de filtros nos óculos, telas de computadores, celulares, tablets, etc”, explica o oftalmologista.


Por ter caráter hereditário, a síndrome não possui prevenção. O paciente pode herdar a doença com um ou dois dos progenitores portadores, porém a intensidade é variável. Por isso, o foco deve estar no diagnóstico e tratamento.


De acordo com Melo, é necessária uma melhor orientação e preparação dos profissionais envolvidos com a formação educacional e a assistência médica das crianças, além de incentivos a campanhas de esclarecimento para os pais. “Muitas vezes o diagnóstico não é dado por falta de informação e os pacientes chegam à idade adulta com dificuldades que poderiam ser resolvidas ou minimizadas através do uso de filtros. Na verdade, o desconhecimento é o principal fator a ser combatido”, finaliza o médico.


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