banner1.jpg
  • Cristiane Sales

Artigo: Quedas causam cerca de 70% das mortes acidentais em idosos com mais de 75 anos


Apesar de parecer uma tarefa simples, a manutenção de uma postura saudável, tanto estática, quanto dinâmica, que permita a liberdade de explorar o meio e transitar livremente, é um grande desafio ao corpo humano e exige a atuação recíproca de três sistemas orgânicos complexos: sistema vestibular – localizado no ouvido e que tem a função de informar ao cérebro a posição da cabeça; sistema visual – que contribui fornecendo ao cérebro imagens da posição do corpo no meio; e sistema proprioceptivo – atividade própria dos músculos que contraem e relaxam de acordo com a necessidade exigida pela postura. Quando as informações vindas destes sistemas são conflitantes, o ser humano tem a percepção de perda de equilíbrio, na grande maioria das vezes relatadas como tontura. Que pode ser definida como sensações de desequilíbrio, movimento, oscilação, rotação ou inclinação do corpo em relação ao espaço.


O envelhecimento é um processo natural e contínuo durante o qual ocorrem declínios progressivos de todos os sistemas e órgãos corporais, entre eles, os responsáveis pela manutenção do equilíbrio postural. As perdas funcionais são de grande impacto na população idosa pelo dano causado à autonomia social e, consequentemente, declínio da qualidade de vida, devido à redução das atividades diárias. A habilidade do sistema nervoso central em processar as informações visuais, vestibulares e proprioceptivas (os três pilares responsáveis pela manutenção do equilíbrio corporal) é diminuída drasticamente nas pessoas mais velhas e resulta na ocorrência da queixa mais presente nos consultórios geriátricos, o desequilíbrio corporal.


As quedas são as consequências mais perigosas e danosas do desequilíbrio e da dificuldade de locomoção (sendo seguidas por fraturas), deixando muitas vezes os idosos acamados por dias ou meses, e são responsáveis por 70% das mortes acidentais em pessoas com mais de 75 anos. Estudos mostram que de 30% a 60% das pessoas com mais de 65 anos sofrem de pelo menos 1 episódio de queda anual, e, destes, a metade apresenta quedas múltiplas. É comum perceber a imersão deste grupo de pacientes no ciclo vicioso da imobilidade, onde o envelhecimento desencadeia inatividade, que gera descondicionamento físico, acompanhado por depressão, isolamento e mais inatividade. As quedas são a principal causa mundial de internamento hospitalar na população com mais de 65 anos, gerando altos custos à saúde pública. Um dos grandes motivos pelos quais o equilíbrio dos idosos vem se tornando alvo de muitas pesquisas.


Existem muitos agravantes ao risco de quedas na velhice, o sedentarismo, a reincidência dos episódios e as condições ambientais se incluem nos mais consideráveis. Algumas pesquisas apontam relação direta entre o uso de medicações psicoativas (principalmente os antidepressivos, ansiolíticos e hipnóticos) e desequilíbrio postural nos idosos.


Um bom programa de exercícios físicos, que melhore a condição muscular e promova ganho de força, associados a estímulos de adaptação do sistema nervoso central, contribuem grandemente para a prevenção das quedas na terceira idade. Além disso, é necessária a avaliação dos riscos ambientais e as modificações necessárias (por exemplo: uso de barras de apoio, fixação de tapetes no chão, uso de dispositivos auxiliares à marcha e iluminação adequada) e avaliação oftalmológica, visando prevenir os episódios de queda e resgatar autonomia e qualidade de vida nas pessoas idosas.


*Os artigos publicados no Site Saúde e Bem Estar são escritos por especialistas convidados pelo domínio notável na área de saúde. As publicações são de inteira responsabilidade dos autores, assim como todos os comentários feitos pelos leitores/internautas.

#Quedaemidosos #Equilíbrio #Fisioterapia #Gerontologia

Artigo02.png
banner2.jpg
WhatsApp Image 2020-10-07 at 11.28.55.jp
Banner01.png
Arquivo