• Cristiane Sales

Mulheres agredidas têm direito a cirurgia reparadora no Hospital Agamenon Magalhães


Vítimas de violência são acolhidas no Wilma Lessa e encaminhadas para procedimento


O Hospital Agamenon Magalhães (HAM), localizado na Zona Norte do Recife, abriga um importante dispositivo de assistência a mulheres vítimas de violência, principalmente a sexual: o Serviço de Apoio à Mulher Wilma Lessa. No local, que funciona 24 horas e sete dias por semana, as pacientes são acolhidas e atendidas por uma equipe multiprofissional. Além do atendimento multiprofissional, caso haja a necessidade de reparação das lesões ou sequelas da agressão, a vítima será encaminhada, com prioridade na assistência, ao serviço de cirurgia plástica do HAM.


O atendimento preferencial na unidade, de acordo com a Lei Estadual Nº 13.300, assegura à vítima acompanhamento humanizado e integral nos períodos pré e pós-operatório. No entanto, o medo da exposição faz com que muitas vítimas sequer procurem o serviço.


“As pacientes vítimas de agressão chegam muito abaladas ao serviço, com dificuldade de comunicação. Muitas, inclusive, têm até vergonha de ir para o hospital. Mas nós temos toda a estrutura pronta para receber e dar o apoio que a vítima precisa, com acompanhamento especializado tanto do ponto de vista médico como psicossocial. O resultado da cirurgia reparadora depende muito do tipo de lesão, mas, normalmente, chegamos em um denominador gratificante", ressalta o chefe da Cirurgia Plástica do HAM, Carlos Lacerda.

Para garantir o fluxo dos procedimentos, a direção do hospital se reuniu com a Polícia Civil de Pernambuco (PCPE), em abril, com o intuito de alinhar as demandas convergentes e entender como funciona o acompanhamento à mulher vítima de violência em ambos os serviços.


"As vítimas de lesão corporal grave sempre foram informadas que têm o direito, amparadas pela lei estadual, à cirurgia reparadora, mas percebemos que precisávamos afinar as demandas com as unidades de referência. Agora, o encaminhamento da vítima ao Hospital Agamenon Magalhães não é apenas verbal, mas também por meio de ofício. Assim, nós garantimos que essa mulher realmente chegue à unidade, garantindo, então, a efetividade dos serviços", pontua a delegada Tereza Nogueira, da 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam).

No Wilma Lessa, as vítimas recebem o suporte psicológico inicial necessário para, posteriormente, serem encaminhadas aos serviços essenciais, de acordo com cada caso. "O Wilma Lessa tem uma equipe especializada disponível, dia e noite, para acolher essas mulheres e escutar as suas histórias. Esse acolhimento psicossocial é uma forma de garantir o sigilo e, ao mesmo tempo, ratificar a prioridade na realização da cirurgia reparadora. E, se for necessário, a paciente também será acompanhada pela equipe multiprofissional durante todo o processo, inclusive depois da cirurgia", explica a gerente do Serviço, Mônica Gomes.


Até o momento, o Wilma Lessa só recebeu uma paciente que precisará passar por cirurgia plástica reparadora. A mulher já está recebendo suporte psicológico para agendar o procedimento cirúrgico. Já o serviço de Cirurgia Plástica do Agamenon Magalhães recebeu casos esporádicos nos últimos cinco anos. Segundo o chefe do setor, a não verbalização por parte da vítima dificulta o registro pela unidade de saúde. A estimativa é que três casos passaram pelo hospital nesse período.


Por ano, são realizadas, em média, 800 cirurgias plásticas no Hospital Agamenon Magalhães. As vagas prioritárias para encaminhamentos do Serviço de Apoio à Mulher Wilma Lessa são reservadas semanalmente.


O SERVIÇO


O Serviço de Apoio à Mulher Wilma Lessa completará 18 anos de funcionamento no próximo mês de junho. O local funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, para acolher e atender a mulher vítima de violência, principalmente sexual. O local recebe pacientes de forma espontânea ou encaminhadas de algum serviço de saúde ou de proteção, como delegacias. Lá, a mulher é acolhida por uma equipe multiprofissional, formada por assistentes sociais, médicos, enfermeiros e psicólogos, que colocarão em prática o protocolo necessário para cada tipo de ocorrência.


Quando o caso é de violência sexual, é importante que a mulher se dirija ao serviço no máximo em até 72 horas após a agressão, conforme preconiza o protocolo de atendimento previsto pelo Ministério da Saúde, que inclui o uso de contraceptivo de emergência, do coquetel profilático para IST/HIV, exames subsequentes e, se necessário, o aborto previsto em lei. Todas as medidas são rigorosamente analisadas pelos médicos e equipe de plantão. O Hospital Agamenon Magalhães é referência no Estado para casos de aborto legal, direito das mulheres vítimas do crime de estupro. A mulher pode entrar em contato com o Serviço pelo (81) 3184.1740 / 3184.1739.

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