• Cristiane Sales

Agências da ONU treinam voluntários para estudo sobre estigma e HIV no Brasil


A aplicação dos questionários está prevista para abril de 2019, com o objetivo de alcançar mais de 2 mil pessoas.


Uma parceria entre o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) iniciou uma série de treinamentos para a realização de um estudo sobre estigma e discriminação contra pessoas vivendo com HIV no Brasil.


O estudo, denominado “Índice de Estigma em Relação às Pessoas Vivendo com HIV”, tem como objetivo fazer com que indivíduos e comunidades afetadas pela epidemia de AIDS compreendam experiências de discriminação em suas localidades.


Realizada pela ONG Gestos – Soropositividade, Comunicação e Gênero, a capacitação ocorre em sete capitais brasileiras, onde cerca de 60 voluntários são treinados para a aplicação dos questionários entre pares, com a proposta de levantar informações relevantes sobre estigma e discriminação em relação a essa população, hoje estimada em quase 900 mil pessoas no Brasil.


Os primeiros treinamentos foram realizados em novembro e dezembro deste ano, em Recife (PE) e Salvador (BA). Entre janeiro e março de 2019, os treinamentos seguem em Manaus (AM), Brasília (DF), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP) e Porto Alegre (RS).


Serão entrevistados indivíduos maiores de 18 anos vivendo com HIV na região metropolitana das sete cidades em que são realizados os treinamentos. Todas as informações são sigilosas, e a análise dos dados será feita em parceria com a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), com previsão de publicação para o segundo semestre de 2019.


De acordo com o gerente de projeto na área de saúde do PNUD Brasil, Joaquim Fernandes, toda a base de informações serve para oferecer subsídios à formação de políticas públicas voltadas para a resposta ao HIV e à AIDS, uma vez que mostra onde e como atuar nos serviços de saúde para que essa população tenha acesso ao sistema de forma não discriminatória.


“O índice pode mensurar isso e, ao mesmo tempo, direcionar onde a atuação deve ocorrer de forma mais incisiva para que se comece a mudar as estimativas de baixo acesso dessa população aos serviços de saúde.”


Para a diretora do UNAIDS no Brasil, Georgiana Braga-Orillard, o índice mostra, a partir de um processo metodológico sério, que o preconceito e a discriminação existem na vida real.


“Precisamos de dados que afirmem a necessidade de políticas públicas para as populações-chave. Mas, para além do resultado, eu acredito que o processo todo já empodera as pessoas vivendo com HIV”, destaca.


Essa metodologia já foi aplicada em mais de 100 países e contou com a participação de mais de 100 mil pessoas desde a sua criação, em 2008.


“Estamos muito animados com a implementação do levantamento, pois precisamos desses dados para enfrentar a falta de espaço que ainda existe em nossa sociedade para falar sobre o tema”, afirma a diretora da Gestos, Alessandra Nilo.


O estigma representa uma das principais barreiras ao acesso de pessoas que vivem com HIV a tratamentos e sistemas de saúde.


Fonte: ONU


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