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  • Cristiane Sales

Quase 30 milhões de recém-nascidos prematuros e doentes necessitam de tratamento para sobreviver tod


Foto: Reprodução/OMS

Quase 30 milhões de bebês em todo o mundo nascem cedo demais, pequenos demais ou adoecem a cada ano. Segundo novo relatório de uma coalizão global que inclui o UNICEF e a Organização Mundial da Saúde (OMS), esses bebês precisam de cuidados especializados para sobreviver.


"Quando se trata de bebês e suas mães, os cuidados certos, no momento certo e no lugar certo, podem fazer toda a diferença", disse Omar Abdi, vice-diretor executivo do Unicef. “No entanto, milhões de bebês pequenos e doentes, assim como mulheres estão morrendo a cada ano porque simplesmente não recebem o cuidado de qualidade de seu direito, que é uma responsabilidade coletiva.”


O relatório “Survive and Thrive: Transforming care for every small and sick newborn” constata que entre os recém-nascidos com maior risco de morte e incapacidade estão aqueles com complicações relacionadas à prematuridade, lesão cerebral durante o parto, infecção bacteriana grave, icterícia e/ou condições congênitas. Além disso, o custo financeiro e psicológico para suas famílias pode ter efeitos prejudiciais sobre seu desenvolvimento cognitivo e emocional, entre outros.


"Para todas as mães e bebês, é essencial estar saudável desde o começo da gravidez até o momento do parto, bem como nos primeiros meses após o nascimento”, afirmou Soumya Swaminathan, diretora-geral adjunta para Programas da OMS. “A cobertura universal de saúde pode garantir que todos, incluindo os recém-nascidos, tenham acesso aos serviços de saúde dos quais precisam, sem considerar dificuldades financeiras. O progresso na assistência à saúde do recém-nascido é uma situação ‘ganha-ganha’ – salva vidas e é fundamental para o desenvolvimento da primeira infância, impactando assim as famílias, a sociedade e as gerações futuras”.


De acordo com o relatório, sem tratamento especializado, muitos recém-nascidos em risco não sobrevivem ao primeiro mês de vida. Em 2017, cerca de 2,5 milhões de recém-nascidos morreram, principalmente por causas evitáveis. Quase dois terços dos bebês que morrem nasceram prematuros. E mesmo que sobrevivam, enfrentam doenças crônicas ou problemas de desenvolvimento. Além disso, cerca de um milhão de recém-nascidos prematuros e doentes sobrevivem com alguma incapacidade a longo prazo.


Com um cuidado integral (nurturing care), esses bebês podem viver sem grandes complicações. O relatório mostra que, no ano de 2030, em 81 países, as vidas de 2,9 milhões de mulheres, natimortos e recém-nascidos podem ser salvas, com estratégias mais inteligentes. Se a mesma equipe de saúde cuida da mãe e do bebê durante o trabalho de parto e o nascimento, por exemplo, é capaz de identificar problemas de forma precoce.


Além disso, quase 68% das mortes de recém-nascidos poderiam ser evitadas até 2030 com soluções simples, como a amamentação exclusiva; contato pele a pele entre a mãe/pai e o bebê; medicamentos e equipamentos essenciais; e acesso a instalações de saúde limpas e bem equipadas, com profissionais de saúde qualificados. Outras medidas, como ressuscitar o bebê que não consegue respirar adequadamente, administrar à mãe injeção para evitar sangramento ou retardar o corte do cordão umbilical também podem salvar milhões de vidas.


De acordo com o relatório, o mundo não alcançará a meta global de saúde para todos a não ser que transforme os cuidados para os recém-nascidos. Sem um progresso rápido, alguns países não atingirão esse objetivo por mais de 11 décadas. Para salvar esses bebês, o relatório recomenda:


1 - Prestar atendimento hospitalar ininterrupto aos recém-nascidos;


2 - Treinar enfermeiras e enfermeiros para prestar cuidados práticos, trabalhando em parceria com as famílias;


3 - Empoderar os pais e a família, ensinando-os a se tornarem prestadores de serviços especializados e a cuidar de seus filhos, o que pode diminuir o estresse, ajuda a criança a ganhar peso e permitir que seus cérebros se desenvolvam da forma adequada;


4 - A prestação de cuidados de qualidade deve fazer parte das políticas do país e um investimento ao longo da vida para aqueles que nascem prematuros ou doentes;


5 - A identificação e o rastreamento de todo recém-nascido prematuro e doente permite que os gestores monitorem o progresso e melhorem os resultados;


6 - Alocar os recursos necessários, pois um investimento adicional de 0,20 centavos de dólar por pessoa pode salvar a vida de dois a cada três recém-nascidos em países de baixa e média renda até 2030.


Há quase três décadas, a Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança garantiu a todos os recém-nascidos o direito ao mais alto padrão de atenção à saúde e chegou a hora de os países garantirem que os recursos legislativos, médicos, humanos e financeiros estejam sendo investidos para transformar esse direito em realidade para todas as crianças, atesta o relatório.


Fonte: OMS

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