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  • Rebeka Gonçalves

11 de outubro: Dia Nacional de Prevenção da Obesidade


Foto: Reprodução

Especialista esclarece sobre fatores de risco, tratamento e prevenção


Obesidade é uma doença crônica, apontada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), como um dos maiores problemas de saúde pública, com uma projeção para 2025 de 2,3 bilhões de adultos com sobrepeso e mais de 700 milhões de obesos. No Brasil, este cenário não é diferente, pois a obesidade também se mostra em número crescente. De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 50% da população está com sobrepeso ou obesidade.


Em alusão ao Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, comemorado hoje (11/10), o site Saúde e Bem Estar conversou com o especialista em cirurgia digestiva e bariátrica, Flávio Kreimer sobre a importância de prevenir a obesidade.


SBE: O que é a obesidade?


Flávio Kreimer: A obesidade é o aumento da gordura corporal, de maneira simplificada, ocorre quando a ingestão alimentar é maior que o gasto energético correspondente.


SBE: Qual o percentual da população que tem ou pode ter obesidade?


Flávio Kreimer: A obesidade já é uma realidade para 18,9% dos brasileiros. Já o sobrepeso atinge mais da metade da população (54%), de acordo com os dados da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção de Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde.


Entre os jovens, a obesidade aumentou 110% entre 2007 e 2017. Esse índice foi quase o dobro da média nas demais faixas etárias (60%). O crescimento foi menor nas faixas de 45 a 54 anos (45%), 55 a 64 anos (26%) e acima de 65 anos (26%).


SBE: Quais os fatores de risco?


Flávio Kreimer: Frequentemente, a obesidade ocorre concomitante a outras situações clínicas chamadas co-morbidades, como a hipertensão arterial sistêmica, diabetis mellitus, esteatose hepática, apneia do sono, varizes de membros inferiores, aumento de colesterol e triglicerídeos.


O risco aumentado de vários tipos de câncer tem sido relatado: mama (pós-menopausa), cólon e reto, útero, vesícula, rim, fígado, esôfago, pâncreas, estômago e tireoide.


SBE: Existem sintomas para a obesidade?


Flávio Kreimer: O excesso de gordura corporal não provoca sinais e sintomas diretos, exceto quando atinge valores extremos. Os sintomas decorrentes das co-morbidades, por exemplo, das artropatias poderão estar presentes.


SBE: Como o diagnóstico é realizado?


Flávio Kreimer: Histórico familiar, evolução do peso, hábitos alimentares, fatores sociais, ambientais e psicológicos. Além do perímetro abdominal.


É importante a aferição da pressão arterial, níveis sanguíneos de colesterol, triglicerídeos e glicose. Cálculo do índice de massa corporal (IMC), dividindo o peso (em kg) pelo quadrado da altura (em metros).

IMC acima de 50 - superobeso

E acima de 60 - super-superobeso.


SBE: Como se dá o tratamento?


Flávio Kreimer: A mudança do estilo de vida, que compreende reeducação alimentar e atividade física, é a base do tratamento clínico da obesidade. Existem poucas opções medicamentosas liberadas para ajudar no tratamento no Brasil. A indicação de se associar medicamentos ocorre quando há dificuldade de perda de peso somente com a mudança do estilo de vida ou quando existe necessidade de ajudar a tratar certos comportamentos alimentares, associados principalmente a alterações emocionais.


O tratamento cirúrgico pode ocorrer quando o paciente tem IMC > 40 ou entre 35 e 40 com co-morbidades associadas. Diabéticos graves, eventualmente podem ter cirurgia indicada com IMC entre 30 e 34.9, em casos selecionados e com indicação de dois endocrinologistas.


SBE: Como prevenir a obesidade?


Flávio Kreimer: A prática de atividade física é fundamental e um educador físico pode auxiliar com orientações individualizadas. Entretanto, qualquer pessoa, por si própria, pode adotar hábitos como reduzir o tempo de ficar sentada em frente ao computador ou à televisão, subir escadas e andar a pé sempre que possível, além de fazer caminhadas regularmente.


Dormir bem e o suficiente, para cada um individualmente, também é algo importante. Durante o sono é liberado o hormônio de crescimento que melhora a massa muscular e auxilia na redução de gordura corporal.


É importante pensar que hábitos saudáveis devem ser para a vida toda e por isso não devem ter dia marcado para iniciar, nem tão pouco para interromper. Assim como não se deve pensar em dietas muito restritivas, não sustentáveis e não adequadas individualmente.


Um plano alimentar adequado e flexível, que tenha como objetivo bons hábitos e, quando necessário, uma reeducação alimentar pertinente. Não só as calorias devem ser levadas em conta, mas também a qualidade e procedência dos alimentos, as preferências alimentares de cada indivíduo, o aspecto financeiro e o estilo de vida. O que determina o sucesso de uma boa alimentação e uma vida mais saudável é a constância dos bons hábitos. Diariamente a nossa alimentação deve ter 70 a 80% de alimentos in natura.


Logo, o ideal seria uma junção de programas de educação e estímulo de prática de atividades físicas, tanto nas escolas, como na comunidade.

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