• Rebeka Gonçalves

Alzheimer pode atingir até 40% dos idosos acima de 85 anos



O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa, que se caracteriza pela perda progressiva dos neurônios. Normalmente, se manifesta com pequenos esquecimentos, depois surge a dificuldade em articular palavras, problemas na execução de atividades do dia a dia e evolui para alterações de comportamento.


Para falar sobre o assunto, o Blog Saúde e Bem Estar convidou a neurologista do Hospital Pelópidas Silveira, Camila Lyra, para explicar a importância de um diagnóstico precoce para um possível retardo da doença.


SBE: Como podemos perceber que uma pessoa pode estar com o mal de Alzheimer?


Camila Lyra: Os sintomas iniciais são caracterizados por perda de memória recente, ou seja, dificuldade de reter informações novas e aprender novas atividades. Outros sintomas comuns são alteração da personalidade e comportamento, realização de atividades que já havia aprendido, orientação no espaço, inclusive locais anteriormente conhecidos. A doença é dividida em fase leve, moderada ou grave. Com a evolução, o paciente se torna cada vez mais dependente de cuidado de outras pessoas. Nas fases avançadas, o paciente necessita de ajuda para atividades básicas como ir ao banheiro, comer e andar.


SBE: Como é realizado o diagnóstico?


Camila Lyra: A doença é diagnosticada através da história clínica, o médico ouvindo o paciente e seus familiares e cuidadores. São feitos também testes específicos, como mini exame do estado mental, uma avaliação breve que ajuda a dar o diagnóstico. Também são realizados exames complementares, como tomografia de crânio ou, de preferência, ressonância magnética. Nos casos mais duvidosos, deve ser feita avaliação cognitiva com neuropsicólogo e podem ser realizados exames de biomarcadores, que conseguem detectar as alterações moleculares, como Pet scan de beta amiloide e exame do líquido cefalorraquidiano com análise de proteínas que estão alteradas na doença, que são a beta amiloide e proteína tau fosforilada.


SBE: O tratamento pode levar a cura do mal de Alzheimer?


Camila Lyra: O tratamento é feito com medicações sintomáticas, não existindo ainda tratamento curativo. Algumas medicações têm como objetivo melhorar as queixas de memória, outras de melhorar os distúrbios de comportamento e também a melhora do sono. O tratamento é direcionado para cada paciente. As medicações consideradas específicas para memória são os inibidores de acetilcolinesterase e anti- NMDA. Medicações curativas estão sendo estudadas, porém ainda sem resultados reais. Não há benefício concreto em reposição de vitaminas, ômega 3 ou suplemento alimentares.


SBE: Quais os fatores de risco para uma pessoa ter a doença?


Camila Lyra: O principal fator de risco para o desenvolvimento da doença é a idade avançada. Após 65 anos esse risco dobra a cada 5 anos. Até 40% das pessoas acima de 85 anos terão o diagnóstico da doença, conforme afirma a Associação Brasileira de Alzheimer.


Outros fatores de risco associados ao desenvolvimento da doença são hipertensão arterial sistêmica, diabetes, colesterol alto, ou excesso de gordura no sangue, os mesmos fatores de risco de um infarto agudo do miocárdio ou de um acidente vascular isquêmico.


Existem alguns casos genéticos familiares, em que o paciente desenvolve a doença em idade mais nova, normalmente, por volta dos 30 anos de idade, devido a alteração genética.


SBE: Existe alguma forma de prevenção?


Camila Lyra: Não há nenhum tipo de medicação preventiva. A prevenção mais efetiva da doença são hábitos de vida saudáveis e controle das doenças como hipertensão e diabetes. Dieta balanceada, exercícios físicos regulares e controle de doenças cardiovasculares são as melhores formas de prevenção. A maior escolaridade também diminui o risco, ou pelo menos atrasa o início da doença.


Estudos comprovaram que idosos que participam de atividades de socialização tem menor risco ou uma lenta evolução da doença. Então, para evitar que o cérebro se ‘aposente’ é interessante adotar algumas estratégias como: praticar atividade física; estimular a leitura; fazer uso de jogos como sudoku e palavras cruzadas.


SBE: Como lidar com quem tem Alzheimer?


Camila Lyra: A família precisa ter informação, ler muito a respeito, pois os cuidados são intensos. A família precisa ser paciente, entender que o comportamento da pessoa com Alzheimer independe da vontade dela. Quem cuida precisa estar bem, pois o desgaste é grande.


Os idosos são suscetíveis a distúrbios no humor, por isso podem ficar alterados e acabam irritando os familiares. É importante frisar que aquela pessoa não tem culpa de não se lembrar de nada ou de ter aquele comportamento, mas que ela já foi alguém muito produtiva e importante na sua vida.

#Alzheimer #AssociaçãoBrasileiradeAlzheimer #DoençaNeurodegenerativa #DoençasNeurológicas #saúde #saúdedoidoso #SaúdeeBemEstar

Artigo02.png
WhatsApp Image 2020-10-07 at 11.28.55.jp
Banner01.png
Arquivo

Copyright © 2018 Saúde e Bem Estar