• Rebeka Gonçalves

90% dos pacientes com Fibromialgia ou Síndrome da Dor Generalizada são mulheres



‘Eu vou morrer logo’, pensava a médica Lindinalva dos Santos, quando não conseguia se mexer na cama de tanta dor. Há mais de 10 anos ela recebeu dois impactos que agravaram os sintomas. Primeiro foi a ida da filha para morar no exterior e, meses depois, a morte do pai. Ela relata que tinha uma vida muito estressante e muita pressão no trabalho, o que só fez piorar o quadro. Ao consultar uma reumatologista, descobriu que tinha fibromialgia.


“Fibromialgia é uma síndrome dolorosa crônica caracterizada por dor difusa no corpo acompanhada de alterações do sono e fadiga, podendo haver dor de cabeça, alterações cognitivas como memória e concentração, instabilidade emocional, síndrome do intestino irritável, ansiedade e depressão. Pode iniciar após um trauma físico ou psicológico. Os sintomas podem parecer benignos, mas podem ser ou tornar-se graves e perigosos, sem que se consiga determinar o fator causal”, explica Renata Menezes, reumatologista do Hospital da Mulher

.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia, a fibromialgia é de 8 a 10 vezes mais frequente em mulheres do que em homens. A chance desse diagnóstico é maior em pacientes que tenham histórico familiar da doença e em pacientes com algumas doenças reumáticas, como artrite reumatoide ou lúpus eritematoso.


O diagnóstico é essencialmente clínico, pois não existem testes específicos para detectar a doença. Os exames laboratoriais e radiológicos são utilizados para avaliar as condições gerais dos pacientes e para afastar outras doenças causadoras de dor. O diagnóstico realiza-se através de pressão com os dedos em 18 pontos específicos do corpo. O critério de resposta dolorosa, em pelo menos 11 desses 18 pontos, é um indicativo para a classificação da enfermidade, mas não deve ser considerado como essencial. Além disso, o diagnóstico de fibromialgia pode ser sugerido se uma pessoa teve dor generalizada por mais de três meses – sem condição médica subjacente que poderia causar dor.


“Eu já cheguei a passar uma semana na cama. Cheguei a uma situação que eu disse para mim mesma, eu vou morrer logo porque não tem condição de uma pessoa sobreviver com tanta dor. Porque para mim virar na cama era um sacrifício de tanta dor. E aí eu passava duas horas na cama acordada para poder melhorar e eu levantar da cama, pois caso me apressasse para levantar era capaz de desmaiar. Não podia receber nenhuma notícia, se a notícia fosse ruim eu adoecia, se fosse boa, eu também adoecia ”, relata Lindinalva.


Renata Menezes esclarece ainda como a enfermidade pode ser tratada. “Não há cura para a fibromialgia, mas o tratamento ajuda a controlar a dor, melhorar a função e a qualidade de vida do paciente, com uma variedade de medicamentos e atividade física aeróbica, dependendo da participação ativa do paciente”, explica.


A prevenção para a síndrome da dor generalizada está nos hábitos de vida como, a redução do estresse - técnicas de gerenciamento emocional, como exercícios de respiração profunda ou meditação. Dormir bem e com tempo suficiente para o sono, cultivar bons hábitos, como ir para a cama e levantar-se no mesmo horário diariamente, limitar os períodos de sono diurno. Além de manter um estilo de vida saudável – comer alimentos saudáveis, limitar a ingestão de cafeína, principalmente à noite para reduzir a insônia, e se exercitar regularmente – alongamento, boa postura e exercícios de relaxamento são ideais.


“Mas, hoje me sinto curada, graças à Deus. Minha vida mudou completamente. Hoje sou outra pessoa, encaro as coisas de uma maneira muito mais positiva, até porque os médicos diziam que esse diagnóstico tinha um fundo emocional. Faz dois anos que não sinto nada. E deixo de conselho para as pessoas que tem fibromialgia que o mais importante é o seu eu, pois para quem tem essa doença é muito difícil enxergar isso, que o problema está em nós, na maneira como vemos as coisas e percebemos. E, a partir do momento que você fica vendo só dor, você canaliza tudo isso para a dor e não enxerga mais nada”, conclui e recomenda Lindinalva.

#artritereumatoide #DoençasReumáticas #Fibromialgia #HospitaldaMulher #LúpusEritematosoSistêmico #Reumatologia #saúde #SaúdeeBemEstar #síndromedadorgeneralizada

Artigo02.png
WhatsApp Image 2020-10-07 at 11.28.55.jp
Banner01.png
Arquivo

Copyright © 2018 Saúde e Bem Estar